A simplicidade da vida na Roça

De volta aqui no Blog para contar um pouco sobre nossa primeira viagem do ano, para a Roça, em Abaeté-MG. Fomos visitar a família do meu esposo, no lugar mais amado pelo meu sogro: a roça. Levar nossa filha para conviver imersa a natureza, em meio aos bichos da fazenda, e conviver com os avós, tia e primos.

A dinâmica na Roça é muito diferente da cidade. Não há pressa, tecnologias, estradas calçadas ou asfaltadas. A estrada é de barro por muitos quilômetros. Ao redor, só plantações, mato, árvores, pássaros, montanhas e gado. Foram 11h de estrada adentrando o estado de Minas Gerais para chegar lá. Levamos um casal de amigos e seu filho de 1 ano para curtir conosco. Viagem longa com bebês no carro não é muito fácil, é preciso paciência e parar com frequência para atendê-los.

O dia começa cedo na roça, passarinhos cantam alto ao amanhecer e você consegue ouví-los como se estivessem dentro do quarto. Os galos cantam embaixo da sua janela. Meu sogro acorda muito cedo para ordenhar as vacas e suprir as primeiras necessidades das suas criações. Nós acordávamos quando as crianças acordaram. Minha sogra acorda muito cedo e não para o dia inteiro. Faz queijos com o leite das vacas junto a minha cunhada, faz doces e domina admiravelmente a culinária mineira (pausa para lembrar da maravilhosa geleia de laranja e o doce de leite feito por ela).

Compõem o ambiente muitas frutíferas, uma imensa gameleira com uma colmeia de abelhas, uma família de cachorros dóceis, galos e galinhas, bezerros mansos e bonitos, vacas bem cuidadas e uma muito brava, tínhamos que ter cuidado para não passar próximo dela. Um porquinho que ficava esperando sua lavagem, um casal de pássaros migrantes grandes e bonitos (Curicacas) se aninhou no coqueiro e deu filhotes e nos é mostrado com muito orgulho pelo meu sogro. Caminhamos pelo seringal plantado por ele. O pessoal foi ao milharal colher milho também plantado por ele, porém sem modificações genéticas (transgênicos), milho natural. Não havia sinal para celulares muito menos sinal de internet. Apenas um telefone fixo. Restando-nos a dádiva da presença olhos nos olhos.

Maria Flora conheceu o curral, os bezerros, montou no cavalo Castanho. Engatinhou no barro, junto às galinhas soltas. Foi seguida pelo filhotinho dos cachorros. Ganhou muito colo de todos, brincou com os primos, tia, vovô, vovó e padrinhos (nossos amigos) e seu filho Gustavo. Tomou banhos de bacia com o Gu para refrescar. Ela não perdia um momento. É uma menina intensa. Distribuiu sorrisos.

Na roça ninguém precisa e nem se lembra de usar maquiagem (rs). Roupas pode-se usar aquelas mais velhas e confortáveis que você tem e apenas um calçado que proteja seu pé. Vaidade não se ver por lá nem ao longe. Lá ninguém ansia por atualizar o stories do insta por exemplo, hahah. Fomos visitar um tio, fomos recebidos numa varanda com redes, com muito verde ao redor, mangas recém tiradas do pé, um suco de acerola do local, feito na hora por ele, amendoim cozido com a casca (faziam tantos anos que eu não comia amendoim cozido, no meu nordeste é tão comum, mas por aqui não se tem o costume de comer, ao menos nossos amigos e meu esposo nunca haviam comido e amaram). Foi-nos apresentado um exótico doce de pau de mamão, feito do tronco do mamoeiro. A minha comadre ficou encantada com o doce. Ganhamos jacas maduras. Visitamos outro tio que mora numa fazenda vizinha. As conversas eram sempre do dia a dia na roça, criações de animais. Muito conhecimento deles e nós ali de expectadores.

Caminhamos por dentro do seringal. Uma borboleta, da espécie igual a que tenho tatuado, pousou em mim. Assistimos o corte do Eucalipto. Maria Flora amassou o casco de um besouro com as mãos, para o meu desespero… rs. Na casa, à noite, um sapo enorme passou pulando pela cozinha… Desta vez meu esposo não o pegou, graças ao bom Deus. Um morceguinho me fez companhia no quarto, ele dormia na telha e eu na cama.

Subimos um morro chamado Morro Agudo, do qual da pra ver toda a região. Lá no alto pegava sinal de celular. Incrivelmente todos estavam tentando mexer no celular ao mesmo tempo lá em cima, menos eu que deixei o celular na casa. É incrível como a tecnologia conecta e desconecta as pessoas rapidamente. Um dia antes de irmos embora, Tio Vic chegou à noite para uma prosa, trouxe uma palha italiana feita pela irmã dele, maravilhosa; Conversamos todos até altas horas, as crianças já haviam dormido. Rimos muito com as histórias do meu sogro.

Muito distante da cidade, num lugar simples, em meio à natureza, observei que necessitamos essencialmente de pouco para viver bem. Digamos que a “preocupação” era: “Quem iria raspar o tacho de doce de leite?” hahaha. No mais, o restante nos é imposto pela sociedade, cultura, escolhas e por nossos próprios hábitos.  No interior de Minas, não há nada que não se resolva com um bom cafezinho, pão de queijo e queijo com doce.

6 comentários em “A simplicidade da vida na Roça

  1. Vocês gostaram muito desse maravilhoso passeio no campo em Minas Gerais na casa do Sr. José Antônio seu sogro e Dona Tereza sua sogra, foi bom para Maria Flora conhecer a natureza da roça e vocês que provaram as comidas regionais de Minas Gerais, delícias de pão de queijo, doce de qoiaba com queijo feito no sítio. Abraços e beijos de saudade.

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  2. O que dizer depois de tanta beleza lida? Que a sabedoria da natureza foi desenhada por Deus e que tem tantas manifestações acontecendo a toda hora, enquanto nós, conectados com máquinas, abstraímos do essencial da vida. A simplicidade, a pureza, o conforto de estar na roça não se compara a nada. O luxo é a atenção trocada entre os seres. Cheguei a sentir o cheirinho do café com pão de queijo. Que delícia sua viagem. Beijos

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